segunda-feira, 12 de novembro de 2012

As Virtudes

Decidimos ler as páginas de Pomar, dependuradas nas paredes da Árvore, segundo a orientação: atirem as albardas ao chão. Árvore implantada num canto de um belo jardim, do qual miramos as ravinas e escarpas ajardinadas, O RIO e o mar. Chamam-lhe Passeio das Virtudes.
Sentamo-nos para descansar os pés, um tanto cansados pelo trajecto. O sol do princípio da tarde aqueceu e iluminou um espaço de artistas. Realmente, permite um ponto de vista e nele pululam ao longo dos dias muitos pontos de vista, direccionados a muitas vertentes da criatividade, incitadas pela Árvore. A árvore é de homens e mulheres da bela arte. E não só, ela está implantada e ramificada no burgo, por dentro e por fora das pedras ancestrais. Pedras cinzeladas pelos artistas da perenidade firme em que partilhamos para lá e para cá a vida.
Levantamo-nos e dirigimo-nos à porta.
-Os senhores enganaram-se. Disse o baixinho esturricado pelos restos da moca anterior.
-Ao domingo não há exposição, só à semana….
Como bom porteiro, arrumador de carros nas traseiras do Tribunal e substituto de um pequeno cartaz a indicar o horário, teve direito a uma “gorja” para comprar um mulete mais acima.
Realmente, houve distracção da nossa parte. O visitar a exposição foi calendarizado para outro dia. Aproveitamos para esticar o pernil e avivar a memória, seguindo tudo o que era virtudes. Descemos a Calçada, apreciamos o Jardim do Horto, percorremos a Rua dos Armazéns e subimos a Rua Tomás Gonzaga, em direcção ao Largo de S. João Novo.
Diz-se que não podemos viver no passado e, em certa medida, usar de prudência com os excessos de regressão. Ditos com os quais concordo.
Entendo, no entanto, que o nosso presente tem muito do que está para trás. Parte substancial do reforço da vontade que recai no nosso agir presente e futuro advém do amor que nos deram, em momentos que cada vez mais se afastam de nós. Estão os nossos erros e as nossas correcções, desvarios e loucuras, e as pasmaceiras. Está lá o bom que temos de tornar óptimo, até, sei lá quando.
Assim, entramos no Largo de S. João Novo. Recordei a bola a correr para baixo, depois de pontapeada para cima e tantas mais coisas, nomeadamente, parte dos meus. Aquele lugar poucas mudanças teve, está lá o formato do palco passado, mas não deixa de aconchegar um novo futuro.    
Não esqueço que o Porto, não é só Os Clérigos, é também lugar de viçosas Virtudes.


12.11.2012

Trajecto pedestre:
…Leões, Cordoaria, Azevedo Albuquerque, Passeio das Virtudes, Calçada das Virtudes, Rua dos Armazéns, Tomás Gonzaga, S. João Novo, Taipas, Mártires da Pátria, Clérigos, …

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