terça-feira, 6 de novembro de 2012

O “Mosquito”

“O Mosquito” faleceu. Já passaram um bom par de anos, desde os seus momentos de agonia no leito, em que habitualmente descansava, e do seu enterro no Prado de Repouso. Foi um Portuense como tantos outros, sem direito a homenagens especiais, a não ser daqueles que ele muito queria e amava à sua maneira. Algo que se sentia no brilho dos seus olhos e nas covinhas das suas faces.
Quando dizemos faleceu, entendemos como um deformar até desaparecer, conforme indicação dos nossos sentidos. Mas, sabemos alguma coisa. Nunca mais, ele é alvo dos nossos sentidos. Nada poderemos substanciar mais com base nos nossos sentidos. Somos proprietários daquilo que substanciamos até à sua morte. 
O que fica?
Fica a nossa memória atravessada por registos do espraiar de muitos sentimentos nobres. Feito o resumo de tudo, o resultado que obtemos são laços de ternura. É o amor que nos deram e que por obrigação teremos de dar. Talvez, da mesma forma contida, imperceptível e, ao mesmo tempo, muito expressiva. Não será esfuziante. É com toda a certeza firme.
Após a morte de quem amamos passamos a valorar a vida que construímos e um outro mundo. O mundo imaterial, local onde se guarda as vidas passadas, os resumos de muitos laços de ternura. Não será só recordações. É algo que se esconde e que surge em muitos momentos da nossa vida. No acto de educar, lá vem o que ficou em nós desses tempos que já não voltam mais. É muita coisa, é muita influência!
Valerá a pena falar do “Mosquito”?
Vale. Ele era um fruto da Ribeira, um cidadão do mundo. Veio para ser daqueles que estão e querem estar à frente das coisas.  
Para ti que estás no mundo, aonde eu hei-de estar, não sei é quando.

Trajecto pedestre: Metro, Latino Coelho, Santos Pousada, Bonfim, S. Victor, S. Lázaro, Poveiros, Passos Manuel, Santa Catarina, Metro.

06.11.2012

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